Secta-feira, 6 de fevereiro de 2026, 20h.

kabalallay (meu querido receber) é uma peça-processo que caminha na liminalidade entre o recebido e o criado. Nasce de um desenvolvimento de praticas de reza dissidente, entretecendo línguas e tradições. Parte do uso do espaço performativo e musical como lugar de oferenda aos ancestrais dos territórios na tradição andina. Enraíza-se em piyutim, zemirot, nigunim y nusachot em processos de renovacao judía ao tikún olám (reparação do mundo). Pregunta-se sobre o lugar da cerimônia em articulações pela liberação dos povos e sobre o lugar de uma voz trans em compartires pela liberação dos corpos. Ressoa o pututo, concha-trompete na tradição andina, chamado às deidades de montanha e água no território. Vibra o shofar, corno-trompete nas tradições judias, abrindo os canais do coração até a unidade divina, desde o solene, a quebra, e o júbilo. Paisajes sonoras reverenciam as águas como mães e mestres da eterna diáspora. O harmônio e o piano em harmonias que abrigam melodias em palavras castelhanas, hebraicas, ladinas, portuguesas, ídiches e inglesas – preces rebeldes de luto e redenção para nossos mundos falecentes e emergentes.

 

Canto Villano (Lima, 1993)

Pessoa musical de Canto V. Engelhard, quem, como musico, participa em projetos de sound healing e musica experimental como Resonancia Menguante com Dimitri Manga e Orieta Chrem, y no com Raimundo Atal e Julia Santoli, e Siestaaa com Jean-Carla Rodea e Ana Rivera Uribe. Exibiu instalações de paisagens sonoras em Xapiri Ground em Cusco, o Museu de Arte de Lima, Centro Cultural Espanha e galeria Livia Benavides em Lima, galeria RGR em Cidade do Mexico e Works on Water em Nova Iorque. Elaborou o registro e desenho sonoro para Walkers in Amazonia, o Pavilhão Peruano na Bienal de Veneza de Arquitectura em 2023, representando a organização de educação comunitária Waman Wasi.